No intuito de avaliar as condições de trabalho e o impacto na saúde dos servidores do Judiciário gaúcho, o Sindjus realizou uma avaliação entre a categoria. De dezembro de 2015 a março de 2016 foram distribuídos os questionários da pesquisa para os trabalhadores ativos nas 168 Comarcas do Estado. Os servidores foram convidados a responder as perguntas durante sua jornada de trabalho e a participar da pesquisa mediante assinatura de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Tratava-se de um instrumento estruturado com 121 questões, que abordavam dados sociodemográficos, condições ambientais e de organização do trabalho, sintomas oculares, dor osteomuscular, saúde mental (com o Self-Report Questionaire-20, para rastrear transtornos psíquicos não psicóticos), trabalho com processos eletrônicos, questões específicas para os oficiais de justiça.

Os dados foram computados por quatro digitadores contratados e coordenados por uma funcionária do Sindicato. As informações coletadas referentes à dor osteomuscular, sintomas oculares, alterações no SRQ-20 e tratamentos realizados foram também comparados com pesquisas realizadas com os servidores do Judiciário Federal.

RESULTADOS

Os principais resultados encontrados foram:

  • 2.572 servidores participaram
  • Quase 2/3 são mulheres
  • 60,6% têm entre 30-49 anos
  • 75,6% possuem curso superior ou pós-graduação
  • 70,7% trabalham no 1º Grau
  • 36,2% atuam entre seis-15 anos na Justiça e 31% com até cinco anos
  • 80,4% trabalham com processos físicos
  • 37,1% cumprem jornada de mais de 8h por dia
  • 81,8% disseram que aumentou a quantidade de trabalho
  • Houve ainda elevação no número de processos
  • O total de servidores é menor que o necessário para o trabalho
  • 73,6% consideram que as metas são sempre ou quase sempre atingidas
  • A discriminação é maior entre quem se afasta para tratamento de saúde
  • 63,8% disseram que o prazo para análise dos processos é insatisfatório
  • 48,4% julgam que o número de processos para análise está acima ou muito acima do adequado
  • Os principais aspectos de motivação são estabilidade e salário
  • Os principais aspectos de desmotivação são falta de possibilidade de crescimento e jornada
  • 49,9% afirmam que não há treinamento
  • 87,5% alegam realizar movimentos repetitivos sempre ou quase sempre
  • 80,2% trabalham com posturas desconfortáveis
  • 64,9% consideram as cadeiras desconfortáveis e 51,9% as mesas
  • 65,9% citaram a má distribuição de temperatura no ambiente de trabalho
  • 41% dizem não fazer pausas durante a jornada
  • Velocidade da conexão com a internet e instabilidade do sistema são as principais queixas quanto ao processo eletrônico
  • Para mais de 40% falta o 2º monitor para processo eletrônico
  • 52,3% apresentaram teste SRQ 20 alterado
  • 55% têm dor nas costas sempre ou quase sempre
  • Mais de 40% sentem dor sempre ou quase sempre no pescoço e ombros
  • Entre as queixas foram citadas ainda auxílio para creche e alimentação insuficientes

Clique no link abaixo para conferir os resultados da pesquisa em formato de gráficos.

Acesse os gráficos gerados pela pesquisa

AVALIAÇÃO

O conceito de qualidade de vida no trabalho envolve tanto aspectos físicos e ambientais como os aspectos psicológicos da empresa ou órgão público. Chiavenato (2008) relata que a qualidade de vida implica em criar, manter e melhorar o ambiente de trabalho, seja em suas condições físicas, psicológicas e sociais. Isso resulta em um lugar mais agradável e amigável, bem como melhora substancialmente a qualidade de vida das pessoas na organização.

Assim, qualidade de vida é a união de diversos fatores que levam ao equilíbrio e bem estar do ser humano, tanto pessoalmente quanto profissionalmente, e essa gestão foca na satisfação das necessidades coletivas, tornando o ambiente de trabalho produtivo e saudável.

É irrefutável que hoje, com a implantação do sistema de metas, que gera competitividade entre os trabalhadores, além da redução do quadro de pessoal e material humano necessário para o bom andamento das atividades do Judiciário, aliado a um ambiente de gestão baseado na pressão, a saúde dos servidores é diretamente afetada.

Os trabalhadores da Justiça compartilham diversos aspectos que conformam um determinado modo de andar a vida, incluindo, além das exigências e cargas de trabalho, as definições de salário e carreira, estrutura hierárquica, condições materiais e ambientais de trabalho, e responsabilidades assumidas com a missão institucional. Por essa razão, compartilham também os processos de desgaste e adoecimento que se expressam nos indicadores de saúde apresentados.

A pesquisa realizada pelo Sindjus mostra quais os pontos que estão contribuindo para deteriorar a saúde e o ambiente de trabalho da categoria. Por isso, a pergunta é: o que é preciso discutir diante das informações recebidas dos servidores que participaram da pesquisa? E as respostas são:

  • Redução da jornada de trabalho
  • Limitação de carga diária de trabalho
  • Reposição dos servidores que se aposentam
  • Institucionalizar as pausas para todos os servidores
  • Adequações de ambiência – mobiliário, temperatura
  • Aumento do auxílio-creche e auxílio-alimentação
  • Acessibilidade
  • Identificar situações de trabalho que vulnerabilizam servidores e acolher quem está em sofrimento
  • Estabelecer canais de escuta às demandas dos servidores, em especial em casos que possam se caracterizar como assédio moral
  • Disponibilizar telefone funcional aos Oficiais de Justiça
  • Ressarcimento dos danos

Esse é um pequeno itinerário das discussões que devem ser encaminhadas para proteção da saúde dos servidores e por uma melhor qualidade de vida no trabalho. E o Sindjus precisará da colaboração de todos para que isso se efetive. Este é o convite da entidade para a categoria. As ações desenvolvidas serão divulgadas para que o conjunto de servidores se empenhe junto ao Sindicato para que tenham sucesso.

Acesse os gráficos gerados pela pesquisa

 


 

 

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